Fenómenos pop do ano em livro
Acabaram de ser publicadas em Portugal as biografias da cantora Lady Gaga e do jovem Justin Bieber
"A música de Lady Gaga é a quintessência da era MP3, tanto quanto Elvis o foi do primeiro rock'n'roll, os Sex Pistols e os Clash do punk, Gloria Gaynor da dance, os Public Enemy do rap, os Nirvana do grunge e Alec Empire e os Chemical Brothers da música rave". Palavras de Michele Monina, jornalista italiano que escreveu a biografia de Lady Gaga que é agora publicada em Portugal com o título Lady Gaga - A vida, as canções e os sonhos de uma bad girl. A cantora norte-americana é mesmo um dos maiores fenómenos pop deste ano, cuja ascensão ao estrelato até já mereceu a criação de uma cadeira universitária. Ao mesmo tempo, sobre Justin Bieber, um outro fenómeno pop que este ano ganhou dimensão mundial é também publicada uma biografia em português, intitulada One Time, da autoria de Garrett Baldwin.
São livros diferentes. No caso de Lady Gaga, o jornalista italiano assume este livro como um "ensaio biográfico", sendo feita uma análise de todas as referências que a cantora evidencia no seu trabalho e na forma como se apresenta. Já no caso de Justin Bieber, esta é uma biografia especificamente direccionada a um público pré-adolescente, sendo que no livro são descritos os vários passos que o cantor canadiano percorreu até chegar aos 16 anos.
Em Lady Gaga - A vida, as canções e os sonhos de uma bad girl Michele Monina refere que com esta biografia quer colocar "Lady Gaga (...) no centro de uma dissertação sobre a ideia de ela ser o perfeito ícone Polaroid da actualidade. Uma actualidade, que foi tragicamente prevista pelos autores do chamado cyberpunk, Bruce Sterling e William Burroughs em primeiro lugar, e não é por acaso que veremos depois um paralelo entre a intérprete de Bad Romance e Aidoru, protagonista de um romance do autor canadiano".
No entanto, não são esquecidos dados biográficos, desde os tempos em que estudou no Convento do Sagrado Coração, aos espectáculos de burlesco em que era protagonista, sem deixar de referir o consumo de cocaína ou a fase em que ainda era "apenas" uma compositora de canções pop.
Uma das ferramentas que Lady Gaga melhor utilizou para que hoje a apelidem de "nova rainha da pop" foi sem dúvida a Internet. E foi aí que também Justin Bieber deu os primeiros passos na música, ao partilhar no YouTube vídeos nos quais cantava os seus temas de eleição. "As pessoas perguntam sempre: 'Tentaste ficar famoso com o YouTube?' E eu respondo: 'De maneira nenhuma, estava só a divertir-me'", conta o cantor de 16 anos nesta biografia.
Fruto de uma geração que cresceu com o imediatismo da Internet, não é de admirar que a chegada ao sucesso de Justin Bieber tenha sido também (quase) instantânea, uma vez que com apenas 16 anos já cantou para o Presidente dos EUA e vendeu milhares de discos em todo o mundo. No entanto, não deixa de confessar: "Às vezes só me apetece ser normal e estar com os meus amigos."
Para Michele Monina, o caso de Lady Gaga é bem diferente: "Nunca sai do papel de Lady Gaga, personagem que agora habita o mundo no lugar de Stefani Joanna Angelina Germanotta, nascida em Yonkers, pouco mais de um ano antes de morrer um dos maiores pensadores pop da era contemporânea, Andy Warhol."
